quarta-feira, 26 de abril de 2017

As regras e normas do jogo...da vida


"Portanto, cuidai de pôr em prática todos os estatutos e normas que hoje coloco à vossa frente".

(Deuteronômio, 11:32)

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Autopoiese: a capacidade dos seres vivos de produzirem a si próprios


Os biólogos e filósofos chilenos Francisco Varela e Humberto Maturana criaram em 1970 o termo autopoiese,  para designar a capacidade dos seres vivos de produzirem a si próprios. Para eles o corpo é um sistema autônomo  que se autoproduz, autorregula, e sobre o qual o meio desencadeia mudanças, que estão  previamente determinadas  na estrutura interna do indivíduo.

Esta tese bio-filosófica mostra que o indivíduo não é um meio da organização a sua volta, ele é um fim em si mesmo, é um corpo sob a direção de uma liderança competente  que está em  desenvolvimento.

É neste sentido que a oração, a meditação, a reza para cura têm uma boa interação com o corpo, denotando um conhecimento que aborda aspectos mais sutis de uma polifonia linguística, na qual vários conhecimentos se misturam aos nossos órgãos, em nossas veias. Quando se usa uma linguagem que integra  nossa realidade com o feito dos grandes profetas causamos uma polifonia e esta, dependendo da voz daquele que fala, adquire um poder que lhe é concedido pela Inteligência Corporal, para curar, governar  ou afastar.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O sapateiro e sua oração

Certa vez o Rabi Yakov contou-nos esta história:

Era uma vez um homem que fazia lindos sapatos, de todos os tipos e tamanhos. Seus sapatos eram conhecidos em muitos lugares porque eram feitos com muita perfeição.  Sempre que um modelo novo era reproduzido, ele pegava um par, às vezes dois, dependia da quantidade produzida,  e  ao invés de ir direto par casa, ia pelas redondezas da cidade olhando a tudo e deixava os sapatos  em algum lugar do caminho.
Um dia os aprendizes da fábrica ficaram curiosos e o seguiram e voltaram sem entender, pois ele deixou os sapatos na estrada, ao pé de uma comunidade muito pobre  e voltou para casa.      No dia seguinte perguntaram a ele porque fazia daquela forma e ele respondeu:
____É  que faço meu trabalho de sapateiro com fé  e a fé é um caminho, que precisa  ser compartilhado por muitos. Então inventei esta forma, e sempre que faço um sapato, eu penso em quem paga para usar e no sapato que vou dar, para que digam do fundo do coração:
____Abençoado  o sapateiro que fez estes sapatos!  Assim  fazendo acrescento valor ao meu trabalho, tenho testemunhas do que faço  e só então eu me dirijo ao templo e apresento os meus pedidos  a Deus.
Ao terminar a história, a chuva também tinha passado e todos se levantaram e saíram conversando. Um a um foi saindo da gruta, levando consigo  a idéia do trabalho colaborativo, que faz nascer a inteligência coletiva. O  Rabi porém, ficou e em silêncio e demorou-se a sair. Sem pressa, olhou a gruta, o chão, o teto, viu os discípulos, abstraiu a tudo e pode ver a gruta em cada oficina e em cada escola; a oficina e a escola em cada templo; cada templo em cada homem e cada mulher e cada um dentro da vida, todos trabalhando juntos em prol de todos.  Fechou os olhos para cochilar um pouco, um cochilo rápido, porque ele sabia que ainda tinha muito o que fazer e ainda não havia chegado o sétimo dia.