domingo, 24 de novembro de 2013

A Cabala e a amizade

Para falar da Cabala da amizade vamos nos valer da Filosofia. 
Iniciando o estudo pelas sephirots de cima, de Kether a Tipharet somos o espírito captado de D'us, ou seja somos o que enxergamos de D'us. Nietzsche dizia que as lentes que usamos são fornecidas pela cultura e nossos sentidos nos envolvem na mentira. Ele dizia que somos aranhas em uma teia que só apanha o que se deixa apanhar, ou seja, os sentidos captam o que a cultura ensina a apanhar.
Sendo assim captamos de D'us o que conseguimos captar no nível de consciência que estamos. Nossos sentidos nos envolvem na ilusão, por esse motivo a Cabala conclama à evolução. 
Nietzsche afirma que não há uma estrada para o mundo real, ou seja, não existem verdades absolutas, mas sim interpretações carregadas de ideologia. Neste sentido, D'us é uma ideologia. Quando veremos D'us face a face? Talvez nunca, porque o crescimento moral e espiritual é infinito.
Mas e a amizade? Como eu a represento no nível espiritual em que me encontro?
 Como se manifestam em mim as forças da amizade, considerando a mente social de Netzah a Malkhut?
Bom, em Netzah a amizade é fundada no legado cultural, uma razão  herdada, aprendida. Construimos a amizade com base em escolhas e sentimentos aprendidos, incorporados. Talvez não seja o melhor caminho para escolher relacionamentos, com autonomia;
Em Hod a amizade cria autonomia e se funda em finalidades. Aqui, o que move a amizade são os objetivos comuns. Em Hod  se aprende a ter autonomia, um espírito livre, talvez por este motivo a Cabala diz que  Hod é instrumento do Primordial.
Em Yesod a amizade é pautada por afeições, e a pessoa se deixa arrastar pelo seu ego, pelas seus sentimentos, pela emoção, sem muita reflexão.
Em Malkhut, mentalmente somos movidos por identidade e rejeição, com base em critérios que reputamos racionais, sem perceber que nossa razão é herdada e que precisamos nos comprometer com nossa evolução.

Em termos da amizade, ao vivermos as relações que construímos,  sempre  passamos por todos estes caminhos e aprendemos a ser independentes em Hod, nossa semelhança com D’us. Em Hod somos cooperadores do Grande Artífice.

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